CIDADE VIRTUAL
Antonio Chalhub
Os munícipes estão, cada dia mais,
anestesiados com as mentiras `marquetológicas´ de alguns prefeitos fantasmas
que planejam uma cidade virtual. As maquetes eletrônicas e os vídeos com possíveis
intervenções urbanas tornam uma fantasia delirante dos governantes, com belas
propagandas televisivas e coloridas páginas dos jornais, em peças de propaganda
de como seria a cidade. Assim já vimos desfilar o Metro Fantasma de Vitória, a
Revitalização do Centro, a quarta e Quinta pontes, as Orlas inúmeras vezes
projetadas e os aquaviários reinventados, as Fabricas de Cultura em obras
intermináveis e outras dezenas de maquetes virtuais que a cada dia surgem. Muda-se
a maquete para ficar tudo como esta, ao povo só resta mesmo o circo da tv. Gastam-se
mais com as maquiagens virtuais do que com as obras essenciais para a cidade.
A vida contemporânea e a política atual
transformaram o cidadão em espectador e o prefeito em marqueteiro. A propaganda
sobre as belezas e o amor por sua cidade camuflam as necessidades de serviços
públicos e infraestrutura. A propaganda é a arma do beócio. Os projetos
delirantes escondem administradores públicos incompetentes e políticos
carreiristas, usando a passagem pelas prefeituras em trampolim para outros
cargos.
A apresentação destes planos e maquetes
ideais de cidade esconde a incapacidade de gestão dos serviços públicos
essenciais de uma cidade real. Pior ainda, em alguns casos os projetos de um
futuro distantes servem como justificativa para a inação imediata. Por exemplo,
já que teremos o BRT na cidade do futuro por que a prefeitura iria ampliar e
melhorar a geometria viária da cidade? Por que melhorar os pontos de ônibus e
fiscalizar os serviços das empresas? Por que realizar obras nas ruas, calçadas
e gestão do transito para melhorar a mobilidade urbana se teremos um BRT?
É um jogo de empurra onde os prefeitos virtuais
apontam um futuro ideal e deixam de fazer a gestão da cidade real.

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