domingo, 26 de junho de 2016


FUTURO DAS CIDADES

Muito se fala sobre o futuro das cidades no mundo moderno. Principalmente porque as profundas transformações na forma como a humanidade se urbanizou, nos últimos tempos, criou uma nova configuração espacial para nossas cidades.
As cidades antigas eram lugar de segurança e depois viraram o espaço das trocas, do comércio. Depois tornaram-se os locais das administrações centrais e da produção industrial. E com os novos saberes transformaram-se em espaços do conhecimento, da informação, das complexidades e diversidades.
Hoje o espaço urbano passa por uma nova revolução promovida pela tecnologia. O território da segurança não é mais a cidade e sim a casa. O comércio online retira das ruas e shoppings a busca por produtos e novidades. As indústrias se afastaram da cidade e são apenas galpões que se espalham pelas rodovias e ferrovias, são pontos de montagens dos seus diversos componentes. Os escritórios passaram a ser espaços virtuais e seus arquivos de trabalho em nuvem são acessados em todo lugar. Os centros comerciais se transmutaram para portos secos de armazenagem e logística para entrega por transportadoras.
No entanto, o futuro das cidades aponta para as atividades de serviços como próximo espaço privilegiado da nova civilização moderna. É neste setor, que alguns moderninhos chamam de economia criativa, que se assentará a nova base de um novo território das cidades. As atividades que demandam a presença humana, seus encontros, suas trocas existenciais e suas vivencias serão o motor que manterá viva nossas cidades.

Para isso é necessário prepararmos esse novo território que virá, criando um novo urbanismo para a cidade do futuro. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016


 Praça Zocalo, Cidade do México
Ruinas do Templo Mayor Asteca, próximo à praça Zocalo

CIDADE DO MÉXICO

Existem cidades que respiram história e parece que iremos topar com algum antepassado na próxima esquina. E por mais desfigurada que seja, por suas guerras e pelos soterramentos dos conquistadores, seus espaços emergem do passado em pedras bem assentadas e ruas traçadas. A Cidade do México é um claro exemplo dessa arqueologia das cidades, mostrando as cicatrizes dos colonizadores ao dizimarem uma cultura e imporem uma nova cidade sobre a precedente. A cidade se apresenta em diversas pedras, onde as culturas e histórias se sobrepõem. É uma cidade em camadas.....Essa é a impressão primeira que senti ao caminhar na cidade do México
Caminhamos séculos depois da ocupação da região no século XIV (1325), que se deu nas ilhas do grande lago Texcoco e onde brotou a civilização Asteca, com a cidade de Tenochtitlan. As estradas sobre o charco ligavam as ilhas e continham canais, um sistema de diques, jardins, plantações e templos. A cidade colonial espanhola (1523 a 1818) foi aterrando todo esse traçado pluvial Asteca e emergindo com um novo território, como a grande Praça Zocalo e o traçado cartesiano de ruas que saiam desse espaço central.
As ruas atuais seguem uma lógica do explorador espanhol e a tentativa de esconder o passado Asteca não teve completo sucesso, pois ainda brota pedaços dessa civilização antiga através das pedras do Templo Mayor, perto da Praça Zocalo. As pedras dos Astecas serviram para aterrar o seu passado e construir a nova cidade colonial espanhola, mas ainda carregam a energia desse povo guerreiro.

É no caminhar das pessoas, do cheiro dos quitutes das ruas, dos olhos negros como Cenotes, das faces traçadas como a brotar das pedras dos templos que reconhecemos os mexicanos e mexicanas. Os Astecas ainda vivem hoje sob esse sol e a cidade, mesmo com outros traços e ruas, ainda guarda os espíritos do povo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

 ZUMBIS DIGITAIS

As pessoas se transformaram em Zumbis Digitais vivendo em uma dimensão virtual e com a tecnologia dominando em rede global. Transformações na vida humana, nas últimas décadas, com a sociedade da informatização já provocam maiores impactos sociais que a revolução industrial. É uma revolução social onde as relações entre as pessoas são mediadas pelas máquinas e os cérebros ficam conectados aos estímulos da radiação das telas.
O tempo e as interações da vida comunitária passam a existir apenas no sistema mundial de computadores. As pessoas andam pelas ruas desligadas da realidade e plugadas nas nuvens waifirizadas. Os espaços públicos, praças, ruas, parques, clubes, escolas e centros comerciais apresentam seres humanos de olhos fixos em telinhas de celulares. 
Caminhantes zumbis digitais com a cabeça baixa, curtindo redes sociais, lendo mensagens, tuitando, watzapeando e conectando um mundo virtual. A vida real é um sonho que se realiza apenas nas telas brilhantes de uma mente viciada na internet.
O mundo digital está apagando as mentes daqueles que ainda buscam uma experiência real.

quinta-feira, 23 de abril de 2015


O PLANEJAMENTO E A SUSTENTABILIDADE SOCIOAMBIENTAL NA REDE DE CIDADES BRASILEIRAS DO SÉCULO XX


Antonio Chalhub (chalhub.vix@terra.com.br), arquiteto e urbanista, especialista em Educação e Gestão Ambiental / SABERES. Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, Departamento de Arquitetura e Urbanismo - DAU, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo – PPGAU, Mestrando / 2008.

RESUMO:

Este artigo pretende fazer uma breve reflexão sobre o processo de urbanização no Brasil, principalmente em suas interfaces com o desenvolvimento econômico e a industrialização. Estes são os pressupostos para compreender a problemática das cidades brasileiras no século XX e o seu planejamento, em especial no que diz respeito aos seus instrumentos de ação, ou seja, dos planos diretores municipais. A rede urbana brasileira se consolidou ao longo destes séculos como conseqüência da ocupação e exploração do território. A piora na qualidade do ambiente urbano, com poluição hídrica, atmosférica, sonora, falta de saneamento e contaminação dos solos pelos lixões, não encontram respaldo na farta legislação ambiental e urbanística existente hoje no Brasil. Isto comprova que as leis não são unicamente os mecanismos de enfrentamento destas questões. A cidade contemporânea deve repensar seu projeto espacial para que as questões do meio ambiente urbano sejam incorporadas nas políticas públicas, nos planejamentos dos diversos níveis de governo, nos programas, planos e projetos. Assim, a integração dos mecanismos de gestão e planejamento urbano e ambiental deve ser condição básica para a sustentabilidade socioambiental.

Palavras-chave: urbanização, planejamento e sustentabilidade socioambiental.

domingo, 9 de março de 2014





CIDADE VIRTUAL


Antonio Chalhub

Os munícipes estão, cada dia mais, anestesiados com as mentiras `marquetológicas´ de alguns prefeitos fantasmas que planejam uma cidade virtual. As maquetes eletrônicas e os vídeos com possíveis intervenções urbanas tornam uma fantasia delirante dos governantes, com belas propagandas televisivas e coloridas páginas dos jornais, em peças de propaganda de como seria a cidade. Assim já vimos desfilar o Metro Fantasma de Vitória, a Revitalização do Centro, a quarta e Quinta pontes, as Orlas inúmeras vezes projetadas e os aquaviários reinventados, as Fabricas de Cultura em obras intermináveis e outras dezenas de maquetes virtuais que a cada dia surgem. Muda-se a maquete para ficar tudo como esta, ao povo só resta mesmo o circo da tv. Gastam-se mais com as maquiagens virtuais do que com as obras essenciais para a cidade.

A vida contemporânea e a política atual transformaram o cidadão em espectador e o prefeito em marqueteiro. A propaganda sobre as belezas e o amor por sua cidade camuflam as necessidades de serviços públicos e infraestrutura. A propaganda é a arma do beócio. Os projetos delirantes escondem administradores públicos incompetentes e políticos carreiristas, usando a passagem pelas prefeituras em trampolim para outros cargos.

A apresentação destes planos e maquetes ideais de cidade esconde a incapacidade de gestão dos serviços públicos essenciais de uma cidade real. Pior ainda, em alguns casos os projetos de um futuro distantes servem como justificativa para a inação imediata. Por exemplo, já que teremos o BRT na cidade do futuro por que a prefeitura iria ampliar e melhorar a geometria viária da cidade? Por que melhorar os pontos de ônibus e fiscalizar os serviços das empresas? Por que realizar obras nas ruas, calçadas e gestão do transito para melhorar a mobilidade urbana se teremos um BRT?

É um jogo de empurra onde os prefeitos virtuais apontam um futuro ideal e deixam de fazer a gestão da cidade real. 

sábado, 8 de março de 2014


CIDADE VIRTUAL


Antonio Chalhub

Os munícipes estão, cada dia mais, anestesiados com as mentiras `marquetológicas´ de alguns prefeitos fantasmas que planejam uma cidade virtual. As maquetes eletrônicas e os vídeos com possíveis intervenções urbanas tornam uma fantasia delirante dos governantes, com belas propagandas televisivas e coloridas páginas dos jornais, em peças de propaganda de como seria a cidade. Assim já vimos desfilar o Metro Fantasma de Vitória, a Revitalização do Centro, a quarta e Quinta pontes, as Orlas inúmeras vezes projetadas e os aquaviários reinventados, as Fabricas de Cultura em obras intermináveis e outras dezenas de maquetes virtuais que a cada dia surgem. Muda-se a maquete para ficar tudo como esta, ao povo só resta mesmo o circo da tv. Gastam-se mais com as maquiagens virtuais do que com as obras essenciais para a cidade.

A vida contemporânea e a política atual transformaram o cidadão em espectador e o prefeito em marqueteiro. A propaganda sobre as belezas e o amor por sua cidade camuflam as necessidades de serviços públicos e infraestrutura. A propaganda é a arma do beócio. Os projetos delirantes escondem administradores públicos incompetentes e políticos carreiristas, usando a passagem pelas prefeituras em trampolim para outros cargos.

A apresentação destes planos e maquetes ideais de cidade esconde a incapacidade de gestão dos serviços públicos essenciais de uma cidade real. Pior ainda, em alguns casos os projetos de um futuro distantes servem como justificativa para a inação imediata. Por exemplo, já que teremos o BRT na cidade do futuro por que a prefeitura iria ampliar e melhorar a geometria viária da cidade? Por que melhorar os pontos de ônibus e fiscalizar os serviços das empresas? Por que realizar obras nas ruas, calçadas e gestão do transito para melhorar a mobilidade urbana se teremos um BRT?


É um jogo de empurra onde os prefeitos virtuais apontam um futuro ideal e deixam de fazer a gestão da cidade real.